quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dengue será ameaça durante a copa?

Em uma coluna na revista científica Nature, o pesquisador britânico Simon Hay defende que o Brasil deveria fazer campanhas de alerta aos turistas sobre os riscos da doença e aumentar as medidas de controle. O alerta foi publicado na mesma semana em que novos dados divulgados pelo governo revelaram que o número de mortes por dengue no Brasil praticamente dobrou — de 292 em 2012, para 573 entre janeiro e outubro deste ano (96% a mais). Os casos graves também tiveram elevação, de 3.957 para 6.566 (um aumento de 65% em relação ao ano passado). Em 2010 foram registradas 638 mortes e 16.758 casos graves. De 1.315 cidades avaliadas, 682 (51%) não estão em nível satisfatório de contenção do mosquito Aedes aegypti (transmissor do vírus da dengue). Do total, 157 estão em situação de risco e 525 em alerta. Em resposta ao artigo da Nature, o Ministério da Saúde disse que "em junho e julho, meses em que serão realizados os jogos da Copa do Mundo 2014, as taxas de incidência da doença mostram baixa transmissão na região Nordeste, não havendo evidências de que, durante a realização dos jogos, possam ocorrer epidemias de dengue nas cidades-sede". O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, disse que o país "nunca teve epidemia em junho e julho" e que as medidas de combate à dengue são permanentes. Ele também chegou a afirmar que o "pesquisador não deve conhecer bem dengue e no Reino Unido pode não haver muita gente com a experiência que adquirimos no Brasil". É justamente esta informação que o artigo destaca, que enquanto no Sul e no Sudeste os meses de junho e julho são épocas de seca, no Nordeste o clima é outro, tratando-se de um período de chuvas, o que poderia favorecer a proliferação do mosquito. "O professor Simon Hay é um nome muito respeitado em todo o mundo no estudo da dengue. De fato, a curva de chuvas no Nordeste é diferente do resto do país, e os jogos da Copa do Mundo vão coincidir com esse período. Acho que serve como alerta e cabe agora a essas três cidades intensificar as ações de prevenção", diz Rafael Freitas, pesquisador especialista em dengue da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Freitas acredita que além de comunicar turistas, tanto brasileiros quanto estrangeiros, o governo deveria investir tempo e recursos para conscientizar a população local, com antecedência, já que a eliminação de pontos de água parada ainda é a forma mais eficaz de combate à transmissão do vírus. Embora seja um assunto familiar no Brasil e em quase cem outros países onde há incidência da doença (em outros climas tropicais na América Latina, África e Sudeste Asiático), a dengue é pouco conhecida entre turistas estrangeiros, principalmente europeus e norte-americanos. "Isto significa que a Fifa, as autoridades brasileiras e os patrocinadores da Copa do Mundo precisam usar sua influência e experiência para informar sobre os riscos e as medidas de proteção que os torcedores deveriam tomar", diz Simon Hay no artigo da Nature. Para ele, entre elas estão: optar por acomodação com mosquiteiros, telas e ar-condicionado; aplicar inseticidas nos quartos; usar calças e camisas de manga comprida (sobretudo de manhã cedo e no fim da tarde, quando a chance de ser picado pelo mosquito é maior); e aplicar repelente sobre as roupas e a pele. Fonte: BBC BRASIL

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