sexta-feira, 15 de julho de 2011

Esperança para a recuperação de lesões na medula.

Uma nova descoberta altera quase tudo o que se sabia sobre lesões no sistema nervoso central. Há mais de um século os cientistas afirmam que as cicatrizes na medula espinhal são formadas por um grupo de células chamadas células gliais. As cicatrizes são elementos cruciais na perda da funcionalidade nervosa em razão de danos ao sistema nervoso central, que levam à paralisia, porque impedem o crescimento de novos neurônios para substituir os que foram danificados na lesão. A descoberta pode tirar a medicina do beco-sem-saída em que a explicação anterior havia levado - a incapacidade de tratar as lesões da medula espinhal, tidas como irreversíveis - abrindo novas oportunidades para o tratamento do tecido nervoso danificado.
Agora, pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, descobriram que o tecido cicatricial da medula espinhal deriva sobretudo de um tipo totalmente inesperado de células, chamadas pericitos. As lesões no cérebro ou na medula espinhal raramente curam-se totalmente, o que leva à incapacidade funcional permanente. Depois de uma lesão no sistema nervoso central, muitos neurônios são perdidos e, em grande parte, substituídos por uma cicatriz - por enquanto chamada de cicatriz glial - por causa da sua abundância de células gliais aí presentes. Embora esse processo seja sido conhecido pela ciência há mais de um século, a função do tecido cicatricial tem sido alvo de discordâncias - há indicações que ele estabiliza o tecido e inibe a re-crescimento das fibras nervosas danificadas. Estudos revelaram que os pericitos começam a se dividir após uma lesão, dando origem a uma massa de células de tecido conjuntivo que migram para a lesão para formar uma grande parte do tecido da cicatriz. O trabalho, publicado na revista Science, também mostra os pericitos são necessárias para recuperar a integridade do tecido e que, na ausência dessa reação, aparecem buracos no tecido, em vez de cicatrizes. O próximo passo será uma investigação mais aprofundada para saber se é possível controlar os pericitos após a lesão para estimular a recuperação funcional.

Nenhum comentário: