sábado, 29 de novembro de 2008

Vamos gostar de ler?

O mundo gira e dá voltas, nós mudamos e as coisas também. Hoje não, mas quando pequeno lembro-me que ler não era meu passatempo favorito, principalmente livros chatos que aqueles professores adoravam passar para a gente fazer resumo. Que coisa absurda era fazer aquilo. Leitura difícil e textos complicados. Lembro-me que, a cada novo livro, existiam duas perguntas básicas. A primeira era: quantas páginas tem o livro? E a segunda: qual o tamanho da letra? A idéia era copiar de alguém ou pedir pra quem já leu fazer o bendito resumo do livro. Sim, esta é a realidade do nosso Brasil, o que eu já fiz, muita gente já fez e mais um monte ainda está fazendo, e outros tantos irão fazer. A culpa disso tudo? Acredito que grande parte vem do despreparo de alguns professores que, com sua boa intenção de ensinar, acabam cometendo erros gravíssimos quando o assunto é "ensinar a ler". Boa parte, com sua formação intelectual, acham que livros de Machado de Assis, Lima Barreto ou Euclides da Cunha são e devem ser lidos por estudantes do ensino fundamental, como um estímulo para a prática da leitura. Concordo, são obras que merecem atenção de todo indivíduo que se julgue brasileiro e levar estes títulos para seus alunos é uma boa missão. Mas, avaliar o momento correto de introduzir tal leitura, também. Primeiro precisamos despertar o interesse, depois o prazer pela leitura e só em seguida partir para leituras mais complicadas. Imagine, por exemplo, um aluno do ensino fundamental que precisa fazer um resumo do livro "O Cortiço" porque seu professor pediu. Se ele tiver o mesmo perfil que muitos estudantes de nosso país tem, aversão à leitura, com certeza terá muita dificuldade para ler este maravilhoso livro. Não porque ele seja burro ou ainda porque não tenha capacidade de simbolizar ou de interpretar fatos e histórias, mas sim porque ele não tem o básico, que é o PRAZER DE LER. Dar um livro que não corresponde com sua realidade e que a leitura seja difícil, isto é, precisa ser lido e relido, parágrafo por parágrafo, para entender as idéias de seu autor, para quem não gosta de ler é tarefa complicada. E, depois, a culpa é jogada no próprio e infeliz aluno, afinal, é "ele quem não gosta de ler". Portanto, se você é professor, não mate o PRAZER DE LER de seus alunos, dê livros fáceis de ler antes dos difíceis", pergunte antes o que gostariam de ler e nunca, jamais, force-os a qualquer coisa. Você tem um grande instrumento em mãos que é o ofício de ENSINAR, portanto, não desperdice isso. Afinal, cada aluno convertido para a ARTE DA LEITURA é um potencial cidadão e agente transformador de si mesmo e do mundo que se encontra a sua volta.

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